A Síndrome do Túnel do Carpo é a neuropatia compressiva mais frequente nos membros superiores, sendo caracterizada pela compressão do nervo mediano em seu trajeto no túnel do carpo na região do punho.
O Nervo Mediano se origina da divisão do fascículo medial e do lateral, ou seja, todas as raízes do plexo braquial (C5-T1), descendo pelo braço sem emitir nenhum ramo, atravessando então o pronador redondo no antebraço, emitindo então seu primeiro ramo denominado Nervo Interosseo Anterior, responsável por inervar os músculos Flexor Profundo do 2o e 3o dedo, Flexor Longo do Polegar e o Musculo Pronador Quadrado. Segue então em direção punho atravessando o Retináculo dos Flexores no Túnel do Carpo, e então emitindo seus ramos digitais. É responsável pela inervação dos músculos anteriores e flexores do antebraço e curtos do polegar, além da pele do lado lateral da mão.
Fisiopatologia

Na síndrome do túnel do carpo ocorre um aumento de pressão sobre o nervo mediano decorrente de uma diminuição do espaço do túnel ou aumento de volume do nervo. Os dois pontos mais comuns de compressão ocorrem na porção proximal do retináculo dos flexores. O aumento de pressão leva a menor perfusão sanguínea e contribui para ocorrência de alterações isquêmicas no nervo. Todas as situações que provocam aumento do tecido sinovial, sejam elas traumáticas, inflamatórias, tumorais ou medicamentosas, aumentam a pressão dentro deste canal, o que gera a compressão do nervo e o aparecimento dos sintomas.
Prevalência estimada de cerca de 16% na população geral. 1 a 3 casos a cada 100.000 em países desenvolvidos. Mais comum em mulheres com uma proporção de duas a três diagnosticadas para cada homem. É bilateral em 50% dos casos.
Sintomas
Os pacientes podem apresentar diversos sintomas, como disestesia e parestesia (alteração na sensibilidade), acometendo o território do nervo mediano. Esses sintomas costumam ser mais intensos à noite, provocando o despertar do paciente, podendo também serem precipitados por atividades manuais que levam a um aumento da pressão no túnel do carpo. Alguns pacientes se queixam de dificuldade para a realização de tarefas manuais e relatam que deixam cair objetos das mãos com frequência.
Nos casos avançados, há diminuição da força e hipotonia ou atrofia da musculatura do antebraço e da região tenar (a base do polegar). Comprometimento da rotação interna do braço, perda funcional da função de preensão e pinça. Há também relato de casos de deformidade do tipo “mão em benção ou mão papal” por paralisia da musculatura dessa região inervada pelo nervo mediano. Outra deformidade rara é chamada de “mão simiesca”, pela perda da força do músculo oponente do polegar, tornando a mão mais plana. Possui esse nome por se assemelhar a mão dos macacos, que não possuem o musculo oponente do polegar.
Diagnóstico
O diagnostico da síndrome do túnel do carpo é realizado com exame clinico, uma rigorosa entrevista ao paciente e um minucioso exame físico. Existem provas clinicas que ajudam na suspeita da síndrome: Teste de Phalen, sinal de Tinel, teste de Durkan. Eletroneuromiografia e exames de imagens são solicitados quando temos dúvidas em relação ao diagnóstico.
Tratamento
Conservador
Indicado somente nos casos leves da síndrome do túnel do carpo. A primeira medida consiste em orientar os pacientes quanto aos cuidados e formas de evitar o aumento de pressão no túnel do carpo. Mudar os hábitos e as mesmas rotinas do uso das mãos de forma consecutivas. O uso de órteses para imobilizar o punho é preconizado por alguns medicos. Outras opções são medicações por via oral com AINEs. Corticoesteroides também podem ser prescritos porém os efeitos colaterais limitam seu uso. Bloqueio anestésico é indicado com corticoesteroides. Anestesicos locais são contra-indicados por alguns autores pelo fato de poderem prejudicar a percepção caso haja infiltração intraneural. Outras opções incluem terapia com laser, aplicação de ultrassom e acupuntura.
Cirúrgico
O principal objetivo consiste na descompressão do nervo mediano, geralmente por meio da secção do ligamento transverso do carpo. Existe a via aberta tradicional e a via endoscópica (uniportal – uma incisão ou biportal – duas incisões), não existindo superioridade entre uma via ou outra. A escolha vai de acordo com a experiência do cirurgião.

